quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Agorismos da Alma Inquieta Parte Dois


"E agora?
Quando o que faltava
transborda
e agora sobra
E agora?"

Mesmo que sobre, falta
Falta, posto que nunca é muito!
Falta, posto que sempre deseja-se!

Deseja-se

Nasce daí.
Do que no fim é verbo, antes subjetivo
Desejo.
Do desejo começa o que se deseja mais, 
sempre!

Sempre

Será possível?
Ser eterno?
Pois é eterno, mesmo que dure um dia
Pois é possível por tamanha grandeza em poucos minutos vividos.
Pois será sempre o que mais se quis!


Será 
desejo
Será
sempre 
Será 
amor.








Agorismos da Alma Inquieta Parte Um

E agora?
Quando o futuro 
mudar de nome
virar presente
E agora?

Agora
Lembra
do passado, antes presente
e mantenha-se

E agora?
Quando o que faltava
transborda
e agora sobra
E agora?
Agora
Ama
nada mais, apenas
Ama
E agora?
Quando sonhos explodem
e caem
murchos
E agora?
Agora
Respira
Encha novos sonhos
Tem alguns na gaveta
Da escrivaninha
E agora?
Quando o saber
vai embora
sem deixar endereço
E agora?

Agora
Calma!
Pois  já sabe lembrar, já sabe amar  e já sabe respirar
basta isso para viver!


Quem dera fosse fácil assim, ter as respostas pras perguntas da vida diante do mundo! 



sábado, 20 de outubro de 2012

Ode ao amor


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto


Dele se encante mais meu pensamento.



Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.




E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama




Eu possa me dizer do amor que tive:

Que não seja imortal, posto que é chama


Mas que seja infinito enquanto dure."


Desatente-se 
O amor é livre, 
Vaga por todas as almas
A procura da felicidade..
Algumas vezes se encontram
Trocam olhares
Sorrisos
Ois
Olás
Perguntam da família
do cachorro
dos amigos
daquele um
daquela uma
Trocam beijos
abraços
amassos
carícias...
E desencontram-se
E por ai se procuram
De alma em alma.
Fugindo da morte
e da solidão.
Que brincam de pega-pega,
Querendo pegar 
O amor
A felicidade

Para sempre assim.
Para sempre amor!



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Depois

Na janela as gotas batiam forte, como se pedissem abrigo. O frio as condenavam.
O vento passava ligeiro, atrasado como sempre.
Portas batiam, janelas uivavam,
Os raios beijavam a escuridão
Enquanto os trovões desejavam boa noite
E escutavam como resposta o choro de crianças medrosas.

Tempestade.

As ruas viram rios
Os rios viram mares
As ondas arrastam os mares até os muros de pedra.
Elas brilhavam com a água.

O farol some.

O cais transborda.

Casas lotadas de pessoas de açúcar.
Esquecem do cachorro lá fora.
O capacho encharca-se.

Tempestade.

As nuvens causam tanta coisa. E ainda buscam nelas alguma forma que lhes dê sentido.
Tão ingênuos.

Elas vão embora.. cobrir o azul.

Chega ao fim a tempestade.

E lá pelas ruas molhadas
Se ouve um barulho de rodinhas velhas e gastas.
Um carrinho.
Quem o puxa vai de guarda-chuva,
Lenço azul com bolinhas tampando os bobes.
Um óculos fino e dourado pendendo na beira do nariz.
Um xale violeta. Um vestidinho já ralo rosinha.
Sapatilhas verdinhas.
Uma boa senhorinha, corajosa, seguindo os rastros da Tempestade.

"Bom dia dona Bonança!"
"Bom dia meu filho, chuvinha boa essa hein!?"

Barulhos de rodinhas velhas e gastas.
Ela já passou.



sábado, 1 de setembro de 2012

Dalí

- Escute http://www.youtube.com/watch?v=IwXh8h5jivg&feature=player_embedded 


Como se o ar fosse uma massa.
E você pudesse senti-lo invadindo seu corpo.
Como se pudesse brigar com ele por espaço no mundo.
Olhos fechados enxergam mais.

Quando sorrir vira marca registrada.
Com carimbo  e assinatura.
É como se o ar ficasse mais leve.
E te rodasse no espaço.
Dançando valsa.
Pisando no seu pé, e rindo.
Rindo.
Gargalhando
De felicidade.

Esse movimento
bom
Esse movimento
Faz tudo passar
tão rápido
Que não sobra nada 
Para reclamar.

Só pode lembrar 
Dos lugares
Que fizeram nascer
o Sentir,

Sentir?
O quê?
Importa?
Não...
Basta saber
que foi capaz de sentir.

Sentir é tão bom!
E pensar que sentimos o ar todos os dias.
Sentir é tão bom!
Mas melhor que o ar..
é tão bom!

Da alma

Essa coisa de beleza.
Essa merda de beleza.
Essa bela beleza
que arrasta olhares
e carrega consigo 
cheiros formidáveis;

Beleza é bom pra quem tem olhos
Beleza é poesia pra alma.
Beleza foi Deus quem fez.
Deus entende dessas coisas.
Beleza está nos olhos de quem {quer} ver.

Beleza d'alma
Beleza de alma.
Beleza essa alma.

Alma.

Tão bela, tão pacífica.
Alma boa dessa beleza!
Dessas almas que fazem levitar.
Dessas almas 
que tiram o peso do mundo.
As penas da vida ficam leves
como pena de pássaro.
Alma leve
Alma bela
Alma de pássaro.

Que feliz ter por perto essa beleza de alma levinha.
Igual passarinho!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Da Estupidez

Um dia a raiva falou por mim.
E aqui joguei tudo o que me afligia.
Estupidez.
Hoje volto,
Hoje apago,
Hoje te agradeço por você ter acontecido

Aprendi com você o que não quero na minha vida.

E por isso, hoje estou feliz.

Grata por isso.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O Muro e Os Sonhos

De tão pequena, minguou.
De tão inútil, não precisou de mais ninguém.
De tão invisível, não enxergava além do muro,
O muro que a rodeava.
Não podia correr
Não podia voar
Não podia ser aquilo que seus sonhos sonhavam.

Quando chorava
afogava
Quando sorria
se apertava

Um dia lotou seus sonhos de sonhos
E tudo explodiu como um
fogo de artifício de virada de ano.
Na contagem regressiva fechou seus olhos
bem apertados
Pediu que,
algum dia, em algum lugar
ela pudesse ser tudo o que
passou em sua mente.

Como flashes de um filme mudo
sua miserável vida foi passando,
e depois de tanto pedir, encontrou do seu lado uma marreta.

Pensou ser uma piada.
Mas mesmo assim, entre risos e prantos
Pegou a marreta, e com todo o ódio
que sua alma guardou num pote para emergências
Acertou o muro.
Sua força lhe causou gritos,
que lhe causaram lágrimas,
que lhe causaram suor.

Uma rachadura

Parou. Ajoelhou-se.
Beijou o tijolo rachado.
Como se fosse o grande amor de sua vida.

Havia esperanças.

A vida é preciosa demais para acabar entre paredes rígidas.
Só não espere que um dia elas amoleçam sozinhas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Da felicidade {ou do desejo?} de um sonho

Fica tão difícil, falar sobre tudo isso
que já nem sei o que é.
que já não sei se vai ser.

Deseja-se descobrir
que tudo é real.

Em pequenos blocos de felicidade,
Constrói-se um desejo
Que não depende só de mim
Para passar a ser real.

Em pequenos blocos de felicidade
Constrói-se uma tragédia
Que não depende só de mim.
Para passar a ser real.

Pois o que é então?
Desejo?
Tragédia?
E como pode ser felicidade?

É felicidade pois ainda não o é!
É felicidade pois é sonho!
E sonho sempre é felicidade!

É felicidade enquanto não se sabe se é tragédia.

Não depende só de mim.
Pois se dependesse,
Mais fácil seria, ter-te como meu.
A me possuir, como tua.


domingo, 24 de junho de 2012

Brinde

A extrema necessidade do outro nos consome.
A extrema necessidade de estar com todos
                                                 com estes
                                                 com ele
                                                 com ela
                                                 com você
                                                                 faz da vida, uma  sub-existência.
Como cães amedrontados pelo poder de seus cruéis donos, nos rendemos à uma reverência ao outro.
E por fim, 
angústia, 
faz rosnar nossas almas, sedentas de vida própria.
A sede.
A sede faz da mínima gota d'água o mais-que-perfeito brinde à vida.

Um brinde à vida. À minha vida.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Aquele do Fim

Um dia era paixão
No outro era Amor
Mais adiante era Mundo.

E pensou que o Amor
virou Mundo.
E fez do Mundo
o seu Amor.

E esqueceu do Eu
no mundo.
E esqueceu do Eu
no amor.

Um dia lembrou do passado
Quando o Mundo
não era Amor.
Quando o Eu
era Mundo.
E o Amor
estava no Eu.

Um dia lembrou do passado
e foi feliz.

E o Amor
acabou.
O Mundo
me encontrou,
Num Eu mais-que-perfeito
que não mais voltou
a pensar ser Mundo
o que só era Amor.


domingo, 3 de junho de 2012

Das Chamas Esquecidas

O ar não penetra os pulmões enrijecidos.
Olhos paralisados no tempo. Sem um piscar de vida.
Estão voltados para um passado sem fim.
Ninguém lhe avisou que passou. 
Ainda acreditava viver intensamente, o que já estava distante.
Os olhos paralisados no tempo.
Sem saber que o tempo já passou, 
Não enxergam o presente, não vê em frente um futuro.
Apenas lembra das chamas que viu.
Apenas deseja vê-las de novo.

Não sabe mais dessas chamas, não reconhece-as mais em seus olhos.
O ar não penetra os pulmões enrijecidos.
Olhos paralisados no tempo. Sem um piscar de vida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Anúncio

Ziraldo, em meio a desenhos e histórias da boa e velha infância, fala sobre felicidade.
Ele ignora o fato desta ser alcançada na velhice, após vitórias e triunfos. Ela vem na infância, nos momentos que nem sabemos que somos realmente felizes. Apenas sorrimos.
Apenas sorrimos!
Estranho como ser feliz depende muitas vezes de não buscar a felicidade, muito menos saber que já a possui. É apenas o ato natural de sorrir com a alma.
Mas mesmo assim o que mais de deseja além se ser feliz?
Como não desejar tal maravilha?
Alguns dizem que estou a procrastinar. Pois sim, mas ocorre que pensei que a felicidade me encontraria. Ela se atrasou e por fim cancelou nosso passeio.
E sonho de infância desabou. Sobrou uma dura realidade, que entra em minha frente, escondendo o rastro que a felicidade deixou.
Procura-se
Uma felicidade
Que andava junto de um sonho
Quando ele morreu dormindo
Ela fugiu em desespero

Procura-se
Uma tal felicidade fujona
Se encontrar deixe recado.
Pois já não estou sentanda esperando.
Devo estar por aí, a procurando.

Procura-se
Por mim mesma...
que procurando a felicidade
acabou sumindo
sobrando uma casca amarga
a mofar no sofá.

Recompensa-se bem.

sábado, 5 de maio de 2012

Da Lua (2)

E nesta noite gelada
Quando o medo de 
Esquecer 
Une-se
Ao medo de 
Lembrar

E tudo vira uma filosofia sobre o amor.

Descobre-se pouco.

E das costelas arranca-se
Arranca-se?
O que teimo em negar ser fuga.
Mas é fuga!

O que não fugiu, não existiu.
Nada se manteve.

Me julgaram triste
Poética
Eu diria 
Distante.
Distante para não ter de fugir
do que ainda é real.

Pois levo
Tudo isso
Para o mundo dos sonhos.
Amanhã
Obrigo-me a 
Voltar a realidade
Mas antes
Olho
Pra Lua. Pra Lua.




Abandono

Tantos falam do amor
Tantos mudam de amor
Tantos querem um amor

Mas

Como se ama?
Como sabe-se o que é amar?
Como sente-se o que é amar?

Como uma lavagem cerebral
Contos de fada
Fazem do amor 
Único
Eterno
Feliz

Nada que é suscetível a um fim pode ser feliz
E se tem um fim não será eterno
O único se mantém

O único se mantém.

Nada depois deste amor será amor
Será apenas uma tentativa de amar
Um suspiro do que findou
Uma mera reciclagem
Que ainda sim 
Terá fim
E triste será este.
Ao ponto de lembrar que o que podia ser amor
Já não o é
Pois o amor se foi
E por lá ficou, 
Antes mesmo que feliz pudesse ser.

Da Lua

Assusto-me com a possibilidade de esquecer-te
Como já esqueci teus olhos
teu sorriso
Assusto-me quando percebo que
a falta que sinto de ti
diminui
Ao ponto de me esquecer
do que é feita
a saudade.

Hoje no céu a lua brilha
e me fez lembrar
do pouco que guardo de você
Em minha alma podre

E o medo de perder-te volta
com a mesma intensidade
das memórias
que a Lua presenciou

Me pergunto se ela
guarda também
tudo o que
temo esquecer

Sussurra-me
Imploro
Sussurra-me!

A Lua é cúmplice
da distância impossível
da alma corrompida
das lembranças poucas
do tempo
que como um vilão
tenta apagar minhas memórias
Mas a Lua não deixa

Ela nunca deixará.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Marasmo

Folhas balançam, roçando umas nas outras,
seguem ordens do Vento.

General
invisível, inconstante, impaciente,
Faz tudo movimentar-se mais rápido do que quando,
indo de encontro ao inesperado,
Ausenta-se.
Leva as nuvens para um passeio,
Faz dançar as flores,
espalha vida,
Espalha.

General,
invisível, inconstante, impaciente,
Entrelaçou em seu corpo,
acariciou sua face.
Balançou seus Pensamentos...
Mandou-os para longe
Longe da medíocre Realidade
Aprisionava-a em um triste marasmo.

General
invisível, inconstante, impaciente
Grita em sua invisível dinâmica:
                            "Poderá libertar-se!
                                      Fugir sem olhar para trás!
                                                          Fugir seguindo-me!
                                                                         Fugir desse cansado...
                                                                                                  triste marasmo!"
"Triste Marasmo."

Deseja uma vida no vento. Deseja uma morte feliz.





quarta-feira, 28 de março de 2012

Cadernos Antigos

O que acontece quando se quebra a alma?
Quando se descostura o fio da vida..
E pendurado por um pedaço de linha
Nos colocamos a vagar pela imensidão do vazio.
O que acontece?
Só vazio se vê
Só vazio se vê
Sempre se verá o vazio
De fora e de dentro
De dentro para fora
De fora para dentro

O que acontece quando se quebra a alma?
Sinceramente eu sei
Eu sabia
Até que a colaram
E por aqui fiquei
E por aqui estou.

O que acontece quando se quebra a alma?

Aquele que Volta

"Many and many are weeping for their lovers
For the shalow graves in Flanders they are weeping
For the lovers heaped with earth who cannot come to them
While I - I have my lover back again."

quinta-feira, 1 de março de 2012

Desaforo

Porque continuo fugindo?
Porque continuo temendo?
Porque não lhe dou nada em troca?
Depois de tantos carinhos?
Porque eu te machuco dizendo
o que me aflige por dentro?
e você escuta calado!
Mas nunca sai do meu lado.
Enquanto rola na cama,
Estou bem longe dormindo.
Assim quando eu acordar,
Não o verei partindo.
Só que ainda te quero!
Mesmo sendo sua mecha branca de cabelo,
Mesmo sendo um de seus pesadelos,
Com você me sinto tão jovem!
Com você tenho sonhos tão belos!
Largue este desaforo,
De me deixar ver
Outras mãos a te ter,
Pois isso só a tristeza aumenta!
E me sinto errada
Por pensar que você,
No meio de desta tormenta,
O certo poderia ser!
Que o relógio continue rodando,
Fazendo esses dias passarem.
E quem sabe algum dia,
Quando nossos corações se encontrarem,
Posso dizer
Aquilo que você
Já deve saber.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

S.

É quando o mundo desaba
e na queda esmaga
O que era amor.

Quando sozinhos estamos
e então choramos
apertados de dor

Quando de longe o vejo
e então percebo
ainda te amar

É quando sem mais palavras
me sinto apertada
sem nada mudar.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Aquela do Cais

Embriagou-se de conhaque, sua mão, enfurecida, ainda estava em seu rosto tentando deter as lágrimas libertas de sua alma. O lago movimentava-se a cada salgada gota que se afogava naquela doce imensidão esquecida.
O silêncio, quebrado apenas pelo balançar, envolvia-a como se a acalentasse. Era ali o seu refúgio, as madeiras velhas e úmidas rangiam a cada carinho que recebiam. Seus sapatos abandonados no início deste corredor flutuante juntos com as amarras que prendem sua alma na rotineira e árdua vida.
Mas o vento traiçoeiro a proibira de esquecer-se daqueles carinhos que já não mais encontraria num futuro próximo. Deitou-se no manto verde que cobria lentamente a velha madeira, voltou a desacreditar em tudo o que a fez se reencontrar com a dor.
Sentou-se.
Pegou uma folha de papel, antes amassadas pela raiva de seus dedos que agora a acariciavam. Cuidadosamente a dobrou, fez-se um barco. O posicionou na divisa entre a madeira e o lago.
Deitou-se.
Encheu os pulmões e soprou, o singelo barquinho cai de ponta cabeça e é engolido pelo lago. El observa aquele vulto branco sumir nas águas e com este golpe de sorte sussurrou para si:
"De agora em diante desacredito no amor que afundou nas águas deste cais."

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um último pra você

Um tal amor,
Uma senhora culpa,
Um mundo de arrependimentos,
de tentativas,
de buscar, entre espasmos um espelho para que eu pudesse me ver.
Forcei um sorriso,
Disse que tudo estava bem,
Disse que deveria ser feliz,
Que eu o queria feliz.
Feliz..
Feliz..
Feliz..
Fugi..
Para bem longe.
E nesse meu longe
não me privei do humano egoísmo.
Deixei que ele entrasse, sentasse,
bebesse um café.
Então gritou tudo aquilo que queria,
Levantou, andou em círculos,
jogou a xícara de café no chão.
Um grande desrespeito,
que eu gostei.
Vi que esse egoísmo estava aqui, o tempo todo,
Em cada espasmo quando forçava um sorriso
para dizer que por mim tudo bem.

Não.
Por mim nada está bem.
Tudo poderia estar melhor.
E você...
Você não deveria. Apenas não deveria.

Este é seu último.
Este tem de ser o seu último.

5 dias, 51 horas, 5 minutos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

G.

Pertenceu-me,
no intervalo de um suspiro de paixão,
Pertenceu-me,
e fez nascer o que defendo ser amor,
Me encontrei em suas ternas palavras que enviavam a súplica maior,
Sejas minha!
Sejas minha!
E senti-me como uma pena
Que se liberta de teu pássaro,
E deve flutuar, sem rumo
Sem dono.
Mesmo por vezes, muitas vezes, se lembrar do pássaro
como se ainda fosse
Teu pássaro.
E mesmo flutuando ainda possuo tuas ternas palavras,
E mesmo flutuando penso ainda ser tua,
assim como eras meu.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aquela das Galochas Vermelhas


Como uma massa cinzenta aquela cidade se acomodava na planície que foi ocupando vagarosamente, como uma praga sem freio.
Pelos borrões cinzas nascidos da pressa está aquela das galochas vermelhas. Guarda-chuva aberto, capa fechada, olhar no céu.
A água escorre pelos prédios, os fazem brilhar. Uma correnteza se forma no meio-fio, o lixo se transforma em peixe e o bueiro em cachoeira. As galochas se encontram pelo bico, suas pernas se entortam em resposta ao frio vento que tentava lhe fazer correr como os borrões da calçada.
Ela mantinha seu olhar fixo no céu, vendo cada gota sair da grande nuvem com tom igualmente cinza, combinando com toda aquela cidade.
O Guarda-chuva se abaixa, ela fecha os olhos, como se a cegueira aumentasse o prazer das sensações à sua volta. E aumentou.
A chuva lhe doou a sensação do humano. Ela molhava sua face, o vento vinha lhe secar, e de olhos fechados descobriu que a melhor coisa a se fazer era deixar se molhar, e esperar o vento lhe renovar.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Floresça-me

Para que nasçam flores na primavera é preciso que morram as mesmas no outono.
Para que nascesse em você um grande amor foi preciso que choraste quando corri.
Para que fizesse felicidade em tua alma foi preciso que a tristeza nos separasse, existindo em nós dois.
Leave all your love and your your loving behind
You cant carry it with you if you want to survive

Eu corri e olhei para trás, eu vi uma flor nascendo em ti.
Uma flor que te fará sorrir.
Uma flor que te amará do mesmo jeito que você a ama.
E sequei-me de tristeza ao mesmo tempo que nasci para a felicidade.
Pois se as flores em ti chegaram, se a felicidade em ti nasceu,
Tudo aquilo que eu desejava a você aconteceu.

Quem sabe uma flor bem pequena, como uma margarida,
Venha e floresça minha vida?

ROSA,Guimarães

"Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo..."

Quando te disseste que o deixarias
Não conseguir dizer-te que já não mais o amavas
frágil, imprecisa, tenebrosa e sem chão.
Me senti deixando nossa segura caverna
me expondo ao mundo sem teus olhos a me acalmarem,
Executei o futuro que havia para nós.
Mal vi teu olhar em mim, meus olhos,
como afluentes de minh'alma,
preencheram-se de lágrimas
estas me impediram de ver-te por uma última vez.
Tive pena de mim, tive pena de ti, tive pena de todos!
Ouvi teu riso, e o senti como pranto.
Tínhamos um presente cruzado,
mas estes Deuses, que tanto fala,
já não nos queriam juntos neste futuro que traz o mundo...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Aquela dos Bem Quereres

Eles - ela pensou - sempre eles moldaram as querenças e não querenças daquilo que poderia ser minha vida.
Queres culpá-los? Tola! Toda esta culpa não são eles que sentem, ela vive naquilo que pulsa em ti. Como és tola!
Pois quem é você? De onde surge esta voz?
Ó minha alma ingênua! Surge de ti, não vês teus lábios a revelarem estas sábias palavras que antes se recusava a expor?
Pois bem, sou culpada?
Sim! A culpa de uma vida que não queres é apenas tua!
Mas o que fiz? O que não fiz? Quando quis não ter a vida que desejava?
Você apenas quis não querer, sentou onde está e viu tudo passar, só que...
Não diga mais nada! Não diga mais nada! Assumo minha culpa, eu apenas assisti tudo, como num cinema, onde a tela te engole, você fica com os olhos paralisados diante de tanta cor, tanta magnitude! Pois aqui estou eu, parada, mas meu filme está preto e branco, sem nenhuma elegância, a tela molhou-se com a abundância de minhas lágrimas. Eu vi minha vida e não me movi. Eu não fiz nada! Eu deixei que me levassem daqui, o que restou não sou eu, é o resultado da minha própria fuga, fujo da vontade de querer ser.
Não és tão tola quanto pensei. Este é um bom começo...
Começo?
E tudo ficou negro, seus olhos se abriram, ela finalmente acordou e só queria não esquecer este sonho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Algumas vezes tento parar de arranjar desculpas para ignorar a mentira da minha vida.
Um dia quem sabe, tento largar destas desculpas e organizar realmente toda essa bagunça.