quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Riso, O Pranto, O Amor

"Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há de chorar; e quem ri ou não chora, não o conhece. Que é este mundo, senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes? E a vista de um teatro imenso, tão trágico, tão funesto, tão lamentável, aonde cada reino, cada cidade e cada casa continuamente mudam a cena, aonde cada sol que nasce é um cometa, cada dia que passa, um estrago, cada hora e cada instante mil infortúnios; que homem haverá (se caso é homem) que não chora?" ( Lágrimas de Heráclito)

Padre Antônio Vieira, neste texto, defende o pranto como mais digno ao mundo, e anteriormente neguei a afirmação do trecho acima, defendi que ver o mundo através do olhar de quem se ama faz dele menos sombrio, não havendo assim a necessidade do pranto.
Esqueci-me que não se faz necessário o pranto, se faz natural. Ele surge quando a verdade nasce, e a verdade tráz um mundo miserável, já que o amor cega as mazelas e colore vivamente o que antes morria.
Não sabem que em tudo que estava a morrer, morria também o sentido de amar. E mesmo o amor vivo, sem o sentido ele sucumbe à morte. E faz-se uma discussão sobre o amor a partir do riso e do pranto. Mas destaco aqui um detalhe que Padre Antônio Vieira não se esqueceu:
Podemos chorar sem lágrimas, e podemos rir com elas. Tudo que exagera faz nascer reações opostas à aquelas que normalmente temos.

"Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso: chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva."


Assim, ao tratar do riso como pranto, volto ao amor. Que riso é esse que ele produz em minh'alma se esperança não tenho mais neste amor perfeito, que mesmo ainda existente em meus sonhos já não se apresenta na realidade? Será pranto? Será excessiva e suma dor? E quando não há mais riso, nem pranto? Sequei meus poços de sentimento?

Apenas ofereço então, esta última lágrima, e este último riso. Se não mais poderei sentir, agradeço que meu último sentir foi para você.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

1ª do Singular

No fim das contas seremos eu e você..
eu sozinha,
você sofá.
Então tratemos de comprar umas almofadas...
Pois esta será a primeira de muitas noites
Na primeira pessoa do singular.

D[ia]JAVAN.

"Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você,
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você,
E tudo me divide"

"Cantar é mover o dom do fundo de uma paixão
Seduzir
As pedras, catedrais, coração
Amar é perder o tom nas somas da ilusão
Revelar todo sentido
Vou andar, vou voar pra ver o mundo
Nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo"


Fim. Talvez triste, mas sempre fim.



domingo, 27 de novembro de 2011

"Me esqueça sim,
Pra não sofrer,
Pra nao chorar,
Pra não sentir..."

Às vezes desviamos a sede de nossa alma para alguém que pensamos trazer na essência o que pode nos curar. E assim acreditamos que apenas essa essência é a verdade, é a cura de nossa sede, esquecemos dos restos, aqueles resto que trazem as lágrimas, as dúvidas, as aflições, as inseguranças, esses restos as vezes chamados de defeitos, outras vezes de diferenças. Aqui isso não importa, importará apenas que eles existem.
E apenas quando, o coração nos deixa enxergar que observamos que esta essência antes verdade, é apenas uma essência, não falsa, mas diferente, diferente da sua verdade.
E sofremos,
sofremos por tudo aquilo não ter valido a pena,
ou por ainda não estarmos desligados da verdade de tal diferente essência,
sofremos por termos acreditado naquilo tudo.
Mas, geralmente, esses casos acontecem pois a essência, aquela que realmente se conecta com a nossa, estava bem perto, em silêncio, vendo o sofrimento se instalar naquela falsa visão da verdade.
E depois do sofrimento raivoso, unem-se as almas, para formar uma só verdade, e uma só essência.
Nem todos precisam ser eternamente infelizes.