quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Depois

Na janela as gotas batiam forte, como se pedissem abrigo. O frio as condenavam.
O vento passava ligeiro, atrasado como sempre.
Portas batiam, janelas uivavam,
Os raios beijavam a escuridão
Enquanto os trovões desejavam boa noite
E escutavam como resposta o choro de crianças medrosas.

Tempestade.

As ruas viram rios
Os rios viram mares
As ondas arrastam os mares até os muros de pedra.
Elas brilhavam com a água.

O farol some.

O cais transborda.

Casas lotadas de pessoas de açúcar.
Esquecem do cachorro lá fora.
O capacho encharca-se.

Tempestade.

As nuvens causam tanta coisa. E ainda buscam nelas alguma forma que lhes dê sentido.
Tão ingênuos.

Elas vão embora.. cobrir o azul.

Chega ao fim a tempestade.

E lá pelas ruas molhadas
Se ouve um barulho de rodinhas velhas e gastas.
Um carrinho.
Quem o puxa vai de guarda-chuva,
Lenço azul com bolinhas tampando os bobes.
Um óculos fino e dourado pendendo na beira do nariz.
Um xale violeta. Um vestidinho já ralo rosinha.
Sapatilhas verdinhas.
Uma boa senhorinha, corajosa, seguindo os rastros da Tempestade.

"Bom dia dona Bonança!"
"Bom dia meu filho, chuvinha boa essa hein!?"

Barulhos de rodinhas velhas e gastas.
Ela já passou.



sábado, 1 de setembro de 2012

Dalí

- Escute http://www.youtube.com/watch?v=IwXh8h5jivg&feature=player_embedded 


Como se o ar fosse uma massa.
E você pudesse senti-lo invadindo seu corpo.
Como se pudesse brigar com ele por espaço no mundo.
Olhos fechados enxergam mais.

Quando sorrir vira marca registrada.
Com carimbo  e assinatura.
É como se o ar ficasse mais leve.
E te rodasse no espaço.
Dançando valsa.
Pisando no seu pé, e rindo.
Rindo.
Gargalhando
De felicidade.

Esse movimento
bom
Esse movimento
Faz tudo passar
tão rápido
Que não sobra nada 
Para reclamar.

Só pode lembrar 
Dos lugares
Que fizeram nascer
o Sentir,

Sentir?
O quê?
Importa?
Não...
Basta saber
que foi capaz de sentir.

Sentir é tão bom!
E pensar que sentimos o ar todos os dias.
Sentir é tão bom!
Mas melhor que o ar..
é tão bom!

Da alma

Essa coisa de beleza.
Essa merda de beleza.
Essa bela beleza
que arrasta olhares
e carrega consigo 
cheiros formidáveis;

Beleza é bom pra quem tem olhos
Beleza é poesia pra alma.
Beleza foi Deus quem fez.
Deus entende dessas coisas.
Beleza está nos olhos de quem {quer} ver.

Beleza d'alma
Beleza de alma.
Beleza essa alma.

Alma.

Tão bela, tão pacífica.
Alma boa dessa beleza!
Dessas almas que fazem levitar.
Dessas almas 
que tiram o peso do mundo.
As penas da vida ficam leves
como pena de pássaro.
Alma leve
Alma bela
Alma de pássaro.

Que feliz ter por perto essa beleza de alma levinha.
Igual passarinho!