domingo, 18 de setembro de 2011

Monossílabos

E tudo se acaba assim
Quando se chega no momento do dia
Que não se pode mais pensar,
Já que o pensar leva ao dizer
E tudo o que se quer é dormir
E daqui tenho que sair
Antes que o fim seja trágico
E eu nunca mais possa voltar
E acaba-se, não tão monossilábico
Essa cachoeira de palavras
Que se pôs a correr da alma
Daquela que antes, estava só a ver
E agora passa a também querer isto fazer.

Pena que o último não ficou tão bom quanto aqueles outros de antes...

Quando a luz dos olhos teus

"Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há de chorar; e quem ri ou não chora, não o conhece. Que é este mundo, senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes? E a vista de um teatro imenso, tão trágico, tão funesto, tão lamentável, aonde cada reino, cada cidade e cada casa continuamente mudam a cena, aonde cada sol que nasce é um cometa, cada dia que passa, um estrago, cada hora e cada instante mil infortúnios; que homem haverá (se caso é homem) que não chora?" ( Lágrimas de Heráclito)

Pois digo que aquele que vê o mundo pelo olhar de quem ama, chora, por entre risos de poder sentir seu coração bater ainda que seja num mundo desgostoso, e sente ainda a esperança de poder um dia gostar desse mundo como gosta daquele a quem pertence os redondos espelhos que o reflete.

Por uma linha que li perdida

Não me venhas com questões que só cabem a ti responder
Não me venhas pedir aconchegos se cabem a ti oferecer

Pois foi isso que me veio no momento
Para neste branco escrever

E agora me vejo com tal questionamento:
Como devo estas questões desenvolver?

Pois aqui não cabem pensamentos
Que de tão pequeno podem desaparecer...

Já que é aqui que transbordo sentimentos
No meio de poesias, para não se perceber

Só que findo tudo nesse lamento
Que escrevo por causa do que tu veios a escrever.

De tudo, (...) serei atento

Que tudo é esse que devo-me fitar com os olhos arregalados
Sem Fechar
Sem Piscar
Sem Respirar?

Que tudo é esse que não posso deixar solto
A brincar
A Amar
A Odiar?

Que tudo é esse que prendo as minhas pupilas
A vigiar
E vigiar
E vigiar?

Pois fecho os olhos
e deixo-o solto
Que ele venha, que ele vá,

Que apenas volte,
quando assim quiser
Que venha antes da morte
Se assim puder.

Pensar que Pensei

Hoje pensei em tudo,
Pensei em viver essa vida normal que sigo,
Com lástimas e tristezas, alegrias e diversão.
Pensei em morrer
E deixar que as lágrimas salguem a boca daqueles
Que sentirem minha falta.
Mas de que vale a pena viver ou morrer?
De que é feito essa vida e essa morte?
Só desejo seguir,
Que seja pelo caminho da vida,
Que seja ao encontro da morte.

Hoje pensei em tudo,
Pensei na vida dos outros,
Pensei em poder voar,
Viajar pelo céu a recolher suspiros
Daqueles apaixonados em falso
Salvar algumas almas desiludidas
Estourar os balões que fugiram das mãos dos pequenos,
Que ficam a ver a cor se fundir ao céu, até morrer na imensidão
E choram por não poderem mais ter a cor em suas mãos.
Mal sabem os pequenos
Que ainda muito olharão ao céu
Para tentar ver a cor da alma
Daqueles velhos que acabou por perder,
E o Sol os impedirá, cegando-lhes os olhos
Secando-lhes as lágrimas

Hoje pensei em tudo,
Mas em nada disso que escrevo-lhes
Tudo isso é poema,
É causo que rima, que pula linha
Que só quer se aproveitar dos sentimentos
Sentimentos que existem ou não.

Pois, sendo assim
Hoje pensei em tudo.
Mas um tudo mais simples
Mais bonito,
Um tudo só meu
Pelo menos sou toda do meu Tudo.

Hoje pensei em tudo.
Pensei em mim,
Pensei em você
Pensei em nós.