sexta-feira, 13 de julho de 2012

O Muro e Os Sonhos

De tão pequena, minguou.
De tão inútil, não precisou de mais ninguém.
De tão invisível, não enxergava além do muro,
O muro que a rodeava.
Não podia correr
Não podia voar
Não podia ser aquilo que seus sonhos sonhavam.

Quando chorava
afogava
Quando sorria
se apertava

Um dia lotou seus sonhos de sonhos
E tudo explodiu como um
fogo de artifício de virada de ano.
Na contagem regressiva fechou seus olhos
bem apertados
Pediu que,
algum dia, em algum lugar
ela pudesse ser tudo o que
passou em sua mente.

Como flashes de um filme mudo
sua miserável vida foi passando,
e depois de tanto pedir, encontrou do seu lado uma marreta.

Pensou ser uma piada.
Mas mesmo assim, entre risos e prantos
Pegou a marreta, e com todo o ódio
que sua alma guardou num pote para emergências
Acertou o muro.
Sua força lhe causou gritos,
que lhe causaram lágrimas,
que lhe causaram suor.

Uma rachadura

Parou. Ajoelhou-se.
Beijou o tijolo rachado.
Como se fosse o grande amor de sua vida.

Havia esperanças.

A vida é preciosa demais para acabar entre paredes rígidas.
Só não espere que um dia elas amoleçam sozinhas.