terça-feira, 27 de setembro de 2011

O que pode ser

Pois o que é amor?
Para os cientistas são hormônios agindo
quando se encontra o parceiro que nos agrada.
Para os antigos é algo construído
Para os mais novos aquilo que se sente
desde a primeira troca de olhares
Para os decepcionados
é um monte de merda que te faz chorar no fim
Para os poetas
É a essência de uma vida feliz, ou infeliz.

Desta forma, o que é Felicidade?
Para as crianças é uma brincadeira nova
Para os cachorros é o momento que seu dono chega em casa
Para os apaixonados são aqueles segundos de carinho
antes do beijo e do "eu te amo"
Para os solitários é aquele filme que sem querer
você descobriu se iniciando na TV, naquela agradável tarde chuvosa.
Para os comilões é o almoço, o jantar e os lanches dos intervalos

Amor: pode ser bom, pode ser ruim. Viver um amor pode acabar em plural ou em singular, em sorrisos ou em lágrimas. Tudo depende do amor de cada um, e da resposta do amor do outro.

Felicidade: nunca é a mesma mas sempre gera o mesmo bem estar. Cada um encontra sua felicidade: pequena, grande, explêndida, rotineira. Todas sempre serão felicidade, sempre gerarão sorrisos, tímidos ou gigantes, sempre sorrisos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O velho Boticário

Morrem as palavras, aliás, desmaiam.
O A foi expulso, O M virou D. Apenas o O e o R resistiram.
O boticário é chamado, receita repouso,
uma sangria a cada dois dias.
Purificação do sangue.
"Estes sentimentos pestilentos, ainda me deixarão rico!"
Diz o velho gagá, boticário, solitário.
"É a melhor forma de viver, evita dores no peito"
Ele auscuta o peito das palavras, com um suspiro surge na porta o L, o A, o G,o R, o I o M, outro A e um S.
"Deixe que entre, faz bem a esta coitada um pouco de água salgada. Depois de algumas doses a realidade parece menos rígida. Sei disso muito bem, a guerra me ensinou a viver sem precisar delas de novo."
A guerra, a solidão. Parecem cura nesta ocasião!
Marcam a pele, que na guerra é ferida e na solidão se esfria.
A Alma sai ilesa? - Perguntou a adoentada
"A Alma nunca sai ilesa, mas as feridas do meu passado são mais fáceis de curar do que estas do seu presente"
Ela fica muda. Vou morrer?
"Ainda não, infelizmente ninguém morre de uma tolice dessas, apenas se esquecem de viver um tempo. Logo a cura chega junto com o esquecimento, e tudo isso vira um ciclo. Dura pouco tempo, até o coração secar. Logo apenas suas função prática sobreviverá, a de bater e fazer correr sangue nestas suas finas veias."
Ela segura na mão do velho boticário, que a olha sobre os grossos óculos de fivelas douradas passadas no pescoço.
Deixe que eu morra. Assim tudo isso vira crime, aquele monstro que me trouxe isso vai preso e nunca mais alguém viverá assim. Faça isso pelo senhor, que eu bem vejo nestes cansados olhos que não foi a guerra que lhe deixou sozinho. - Insistia, desesperada.
"É uma pena que não exista monstro. Isso é um vírus, um tanto quanto estranho eu diria. Encanta a todos de primeira, mas só em alguns causa bem, fortalece, alegra a vida eternamente.Em outros como nós dois corrói o coração, faz morrer crenças, nos deixa assim. Sem sossego. Mas você se acostuma minha filha. O Tempo cura tudo, mesmo se nesse tempo você passar por guerras, tudo será curado. Só não tente remover cicatrizes, elas serão eternas. Melhor assim, que quando o esquecimento chegar você não cometa a mesma tolice, e feche os olhos. Fica mais fácil, você verá."
Ele ajeita o cobertor da pobre, e segue de volta sua rotina.
"Abrir os olhos do mundo, eu digo que é esta minha missão!" -Sai nos seus passos envelhecidos.
E com sua risada rouca abafa o choro que chegou em sua garganta.

domingo, 25 de setembro de 2011

Art Nouveau

Não passas de fachada.
Arrependo do dia que pensei em trocar vidas, trocar almas.
Fazer que os olhares se tornassem a velha, tradicional e antiquada amizade.

É, as vezes não gosto de inovações.

As Flores de Plástico Não Morrem

Levaram as luzes. Estou no escuro, mas aquelas luzes me cegavam, e no escuro branco eu também estava. Nada é claro, nada pode ser esclarecido.
Eles me tiram as certezas de que sinto alguma coisa. Não sou mais uma certeza, sou uma eterna dúvida se levarei ao riso ou a lágrima.
O riso é uma forma de chorar, se chora por dentro. Não posso ser riso, não posso ser choro. Me tiraram o riso, o pranto, o sentir. Já não enxergam isto em mim, já não enxergo nada em volta. Escuridão eu me tornei.

"You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight"


Do zero, queria uma máquina do tempo. Para voltar ao passado e segurar aquela "eu", antes que a crença no amor seja anulada de seu presente e futuro. Antes daquela última lágrima cair no chão daquele lugar imundo. Poder segurar no rosto dela, afastar as mechas de seu rosto e dizer para fechar os olhos naquele minuto. Sem ver, ela não teria a alma agoniante, vazia, lacrada, a beijaria na bochecha, seus olhos se abririam, carregando a dúvida, a curiosidade. Ela sempre será o que sou, mesmo que não veja os desvios que a fiz fazer. Ela, por teimosia em saber o que era aquilo tudo, voltaria. Cairia no chão ao perceber que nunca poderia fugir do que se tornaria.
É preciso destruir as variáveis para que tudo continue como antes era.
A variável é uma só. Todo o resto é fixo.
O amor, digo mais, os sentimentos, variam, mudam, se moldam ao que se vive.
Os sentimentos não poderiam seguir com ela, eles não deixariam a vida ser estável.

Calma, eu preciso que você fique absolutamente calma.

"Like a riot, like a riot, Oh !
I'm not easily offended
It's not hard to let it go"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lombadas e Ideias

O dia vem a me sugar, fico vazia, sem palavras para emendar o que os sentimentos deixam pendurados.
O Sol queima as ideias, queima o início, e sem início não há meio e fim.
Mesmo quando se inicia no meio, ele é início, o que só apressa a chegada do fim.
E se o fim chegar?
São as dúvidas dessas horas sem Sol, mas sem Lua.
Que fazem nascer as ideias daquele submundo distante,
Que nem eu sei mais onde fica. Arranquei as placas e destruí as estradas.
Abri uma nova, um pouco mais longas, com curvas e lombadas.
E por essa nova estrada, onde a pressa não foi preceito, é que curto mais a música
Num caminho, ainda mal feito, traço uma viagem cega.
O temor existe, vai que trombo e por ali fico? Mas é um temor gostoso..
Temor de aventureiro
De quem gosta de se arriscar.
Agora vivo sem saber aonde chegarei..
Só sei que a felicidade deve estar me seguindo, pois trombo com ela a cada vez que te vejo.

Cismas

Cismei em ser o não-ser
Cismei com revoltantes palavras
E goles de tequila embaladas
Cismei com História
Cismei com placas de carro
Cismei com monossilábicos
curtos, grossos, loucos
Cismei com o Tudo
Cismei com o Riso e com o Pranto
Cismei com o Amor e com o Espanto
Cismei em enxergar no Mudo
As palavras que eu guardei
Mesmo sabendo falar
Pois todas essas cismas
Me deixaram onde estou
Menos uma, menos uma
Que me levou sem me levar
Levou meu coração
Meu coração[?]
Para perto do seu
Seu [!!!]
E aqui estou eu
Aqui estou eu
Cismada com você
Cismada com você


domingo, 18 de setembro de 2011

Monossílabos

E tudo se acaba assim
Quando se chega no momento do dia
Que não se pode mais pensar,
Já que o pensar leva ao dizer
E tudo o que se quer é dormir
E daqui tenho que sair
Antes que o fim seja trágico
E eu nunca mais possa voltar
E acaba-se, não tão monossilábico
Essa cachoeira de palavras
Que se pôs a correr da alma
Daquela que antes, estava só a ver
E agora passa a também querer isto fazer.

Pena que o último não ficou tão bom quanto aqueles outros de antes...

Quando a luz dos olhos teus

"Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há de chorar; e quem ri ou não chora, não o conhece. Que é este mundo, senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes? E a vista de um teatro imenso, tão trágico, tão funesto, tão lamentável, aonde cada reino, cada cidade e cada casa continuamente mudam a cena, aonde cada sol que nasce é um cometa, cada dia que passa, um estrago, cada hora e cada instante mil infortúnios; que homem haverá (se caso é homem) que não chora?" ( Lágrimas de Heráclito)

Pois digo que aquele que vê o mundo pelo olhar de quem ama, chora, por entre risos de poder sentir seu coração bater ainda que seja num mundo desgostoso, e sente ainda a esperança de poder um dia gostar desse mundo como gosta daquele a quem pertence os redondos espelhos que o reflete.

Por uma linha que li perdida

Não me venhas com questões que só cabem a ti responder
Não me venhas pedir aconchegos se cabem a ti oferecer

Pois foi isso que me veio no momento
Para neste branco escrever

E agora me vejo com tal questionamento:
Como devo estas questões desenvolver?

Pois aqui não cabem pensamentos
Que de tão pequeno podem desaparecer...

Já que é aqui que transbordo sentimentos
No meio de poesias, para não se perceber

Só que findo tudo nesse lamento
Que escrevo por causa do que tu veios a escrever.

De tudo, (...) serei atento

Que tudo é esse que devo-me fitar com os olhos arregalados
Sem Fechar
Sem Piscar
Sem Respirar?

Que tudo é esse que não posso deixar solto
A brincar
A Amar
A Odiar?

Que tudo é esse que prendo as minhas pupilas
A vigiar
E vigiar
E vigiar?

Pois fecho os olhos
e deixo-o solto
Que ele venha, que ele vá,

Que apenas volte,
quando assim quiser
Que venha antes da morte
Se assim puder.

Pensar que Pensei

Hoje pensei em tudo,
Pensei em viver essa vida normal que sigo,
Com lástimas e tristezas, alegrias e diversão.
Pensei em morrer
E deixar que as lágrimas salguem a boca daqueles
Que sentirem minha falta.
Mas de que vale a pena viver ou morrer?
De que é feito essa vida e essa morte?
Só desejo seguir,
Que seja pelo caminho da vida,
Que seja ao encontro da morte.

Hoje pensei em tudo,
Pensei na vida dos outros,
Pensei em poder voar,
Viajar pelo céu a recolher suspiros
Daqueles apaixonados em falso
Salvar algumas almas desiludidas
Estourar os balões que fugiram das mãos dos pequenos,
Que ficam a ver a cor se fundir ao céu, até morrer na imensidão
E choram por não poderem mais ter a cor em suas mãos.
Mal sabem os pequenos
Que ainda muito olharão ao céu
Para tentar ver a cor da alma
Daqueles velhos que acabou por perder,
E o Sol os impedirá, cegando-lhes os olhos
Secando-lhes as lágrimas

Hoje pensei em tudo,
Mas em nada disso que escrevo-lhes
Tudo isso é poema,
É causo que rima, que pula linha
Que só quer se aproveitar dos sentimentos
Sentimentos que existem ou não.

Pois, sendo assim
Hoje pensei em tudo.
Mas um tudo mais simples
Mais bonito,
Um tudo só meu
Pelo menos sou toda do meu Tudo.

Hoje pensei em tudo.
Pensei em mim,
Pensei em você
Pensei em nós.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aquele do Furta-cor.

Seu sonho era ser atleta, destes que pulam obstáculos até chegar a fita no fim da pista. Só que correr pode machucar, e sua alma frágil o fez esquecer este sonho. Logo o substituiu. Materializou-se em Vermelho, e nomeou-se Amor e partiu-se sozinho, culpando o mundo pelos seus desagrados.

Só que o vermelho virou preto e o amor, buraco-negro. Foi-se a sugar tudo o que lhe agradava aos olhos e ouvidos. Ficou cheio, de tudo-de-bonito do mundo. E o Preto virou Prata, Buraco-negro moldou-se em chave. Trancou-se com seu tudo na sua própria fechadura.

O prata misturou-se, acabou em furta-cor, a chave virou pincel. Achou um cais, por ali abandonado, pintou-o de Vermelho Amor. No começo foi até a faixa, aquela que proibia a passagem. Depois pintou a faixa e pintou tudo o que ali estava. O Vermelho Amor lhe lembrou o sangue, quando, escondido da frágil alma, tentava correr pelos obstáculos da vida, e caia.

Então o pincel virou agulha, penetrou em seus olhos, cegando-o. Agora sofreria de dentro pra fora, estava feliz assim. Mas ali naquele mesmo cais que desejou pintar e amar. Caiu. O furta-cor, nenhuma cor é, se afogou nas águas e nelas se transformou, refletiria as cores que desejou ser em seu cego furta-cor.