terça-feira, 26 de julho de 2011

HARRY e outros pontinhos

Sim, eu com 19 pra 20 anos sentei no cinema e vi o último Harry Potter, e digo mais! Deixei escapar por esta dura casca que a vida me deu uma lágrima.
Não pelo filme, e sim por mim, e pelo o que o filme representa em minha vida, representa a juventude, desde a compra do primeiro livro até hoje. Todo um período onde nada era estável, apenas o livro que ficava em minha cabeceira.
Lembrei de quando amei pela primeira vez, lembrei de quando esse amor me fez chorar e querer sufocar tudo o que ali havia respirado..... Lembrei dos amigos, os que vieram, os que aqui estavam, os que então ficaram. Lembrei de mim, e do meu outro eu.. a raiva, a calma, o rosa, o preto e por fim o calmo verde que encobriu como uma armadura tudo aquilo que deveria ser protegido, e anulou de mim o pouco sentimento que ali tinha restado, sobrou apenas a superficialidade do medo, da raiva e da tristeza. Veio então a tequila a me consolar, e ela consolou até o dia que finalmente cai no chão.
E aqueles amigos que ficaram resistiram e me apoiaram e me transformaram lentamente.
Hoje, depois de destruir as horcruxes que não deixavam o amor prevalecer, sou eu novamente toda amor, toda sonho, toda eu.
Nos seus olhos encontrei a mudança, e agora só ficou uma cicatriz para que eu nunca esqueça, que tudo se foi, assim como a juventude, ela agora mora na minha penseira...e eu, até eu moro no amor.
Sentada aqui vejo a vida passar depressa,
Sentada aqui vejo pequenos se acharem grandes, grandes se acharem velhos, e velhos se acharem mortos.
Querem tudo de uma vez, sem faltar nenhum detalhe, querem o bolo e a cereja sem ter de quebrar ovos e misturar farinha e leite.
Querem o som antes da música, a letra antes da escrita e o beijo antes do amor.
Mas me penduro no cordão do sino, impedindo a meia-noite bater,
Parei o mundo no fim do dia, seguro firme, não quero descer. Agora posso respirar duas vezes e enxergar o caminho que antes passei correndo sem observar.
Paro de ver com os olhos para finalmente enxergar com a alma, que não é assim tão apressada, e encontro as mãos que tentaram me pegar, e eu corri com pressa de esquecer da vida.
Mas não é que perdi a vida por lá?! E essas mãos a trouxeram de volta, me embalaram
Me mostraram que mesmo parada estou a flutuar mais alto, e agora vejo os apressados passando, sugando do tempo o extra que precisam para achar que assim vivem, não! Não vivem!
Morrem rápidamente, sem deixar um piscar de vida como lembrança, antes de morrer corriam, derrubavam suas própria vidas na busca desesperada pela reta final, ao som do tic tac e das buzinas, sem notar que a felicidade ficou uma curva atrás...
Queimei os relógios, marco o tempo pelas lembranças que aquelas mãos me deram quando guiaram nossos lábios para o beijo, aquele mesmo que me fez esquecer do mundo.