domingo, 24 de junho de 2012

Brinde

A extrema necessidade do outro nos consome.
A extrema necessidade de estar com todos
                                                 com estes
                                                 com ele
                                                 com ela
                                                 com você
                                                                 faz da vida, uma  sub-existência.
Como cães amedrontados pelo poder de seus cruéis donos, nos rendemos à uma reverência ao outro.
E por fim, 
angústia, 
faz rosnar nossas almas, sedentas de vida própria.
A sede.
A sede faz da mínima gota d'água o mais-que-perfeito brinde à vida.

Um brinde à vida. À minha vida.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Aquele do Fim

Um dia era paixão
No outro era Amor
Mais adiante era Mundo.

E pensou que o Amor
virou Mundo.
E fez do Mundo
o seu Amor.

E esqueceu do Eu
no mundo.
E esqueceu do Eu
no amor.

Um dia lembrou do passado
Quando o Mundo
não era Amor.
Quando o Eu
era Mundo.
E o Amor
estava no Eu.

Um dia lembrou do passado
e foi feliz.

E o Amor
acabou.
O Mundo
me encontrou,
Num Eu mais-que-perfeito
que não mais voltou
a pensar ser Mundo
o que só era Amor.


domingo, 3 de junho de 2012

Das Chamas Esquecidas

O ar não penetra os pulmões enrijecidos.
Olhos paralisados no tempo. Sem um piscar de vida.
Estão voltados para um passado sem fim.
Ninguém lhe avisou que passou. 
Ainda acreditava viver intensamente, o que já estava distante.
Os olhos paralisados no tempo.
Sem saber que o tempo já passou, 
Não enxergam o presente, não vê em frente um futuro.
Apenas lembra das chamas que viu.
Apenas deseja vê-las de novo.

Não sabe mais dessas chamas, não reconhece-as mais em seus olhos.
O ar não penetra os pulmões enrijecidos.
Olhos paralisados no tempo. Sem um piscar de vida.