quarta-feira, 6 de julho de 2011

Nessas últimas semanas deixei que pessoas me notassem, me notassem pela secreta entrada da alma, a entrada mais triste que guardo, o coração.
Abandonei os sorrisos, a racionalidade e coloquei a tristeza pro mundo ver.
Pensei que assim eu me entenderia, eu mudaria.
Entendi que nego tudo o que outros estão a sonhar, por pura covardia.
Medo daquela gota salgada escorrer no meu rosto e chegar a minha boca, como se calasse mais um pouco esse sentimento tão perfeito que tento demonstrar sentir.
De nada adiantou toda essa ladainha, não sei quem sou, não sei quem fui e tenho pesadelos com o que posso acabar sendo.
Tenho uma alma imperfeita, cheia de rachaduras, algumas que eu mesma causei, num desesperador desejo pela fuga desse mundo insano que anula tudo aquilo que sonhava em fazer.
Me diminui atrás de uma mesa, com uma bela justificativa para lá estar.
Não vou abraçar o mundo, não dá pra viver as fantasias de um coração que já não existe, porque já não mais existem as fantasias, apenas a rotina, cansativa, miserável de mais um corpo sem vida que vaga por entre as ruas.
Afinal, aonde deixei cair o brilho do meu olhar? Onde guardei os sorissos? Por onde anda a vontade de viver? Grito pelo amor, ele finge que está lá mas já sumiu antes de eu pegá-lo.
A angústia parece que arde por dentro, e transborda pelos olhos sempre que penso em mim.
Abandonei-me. Não venha me salvar, afinal, a culpa não é só minha.