sábado, 5 de maio de 2012

Da Lua (2)

E nesta noite gelada
Quando o medo de 
Esquecer 
Une-se
Ao medo de 
Lembrar

E tudo vira uma filosofia sobre o amor.

Descobre-se pouco.

E das costelas arranca-se
Arranca-se?
O que teimo em negar ser fuga.
Mas é fuga!

O que não fugiu, não existiu.
Nada se manteve.

Me julgaram triste
Poética
Eu diria 
Distante.
Distante para não ter de fugir
do que ainda é real.

Pois levo
Tudo isso
Para o mundo dos sonhos.
Amanhã
Obrigo-me a 
Voltar a realidade
Mas antes
Olho
Pra Lua. Pra Lua.




Abandono

Tantos falam do amor
Tantos mudam de amor
Tantos querem um amor

Mas

Como se ama?
Como sabe-se o que é amar?
Como sente-se o que é amar?

Como uma lavagem cerebral
Contos de fada
Fazem do amor 
Único
Eterno
Feliz

Nada que é suscetível a um fim pode ser feliz
E se tem um fim não será eterno
O único se mantém

O único se mantém.

Nada depois deste amor será amor
Será apenas uma tentativa de amar
Um suspiro do que findou
Uma mera reciclagem
Que ainda sim 
Terá fim
E triste será este.
Ao ponto de lembrar que o que podia ser amor
Já não o é
Pois o amor se foi
E por lá ficou, 
Antes mesmo que feliz pudesse ser.

Da Lua

Assusto-me com a possibilidade de esquecer-te
Como já esqueci teus olhos
teu sorriso
Assusto-me quando percebo que
a falta que sinto de ti
diminui
Ao ponto de me esquecer
do que é feita
a saudade.

Hoje no céu a lua brilha
e me fez lembrar
do pouco que guardo de você
Em minha alma podre

E o medo de perder-te volta
com a mesma intensidade
das memórias
que a Lua presenciou

Me pergunto se ela
guarda também
tudo o que
temo esquecer

Sussurra-me
Imploro
Sussurra-me!

A Lua é cúmplice
da distância impossível
da alma corrompida
das lembranças poucas
do tempo
que como um vilão
tenta apagar minhas memórias
Mas a Lua não deixa

Ela nunca deixará.