segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aquele do Furta-cor.

Seu sonho era ser atleta, destes que pulam obstáculos até chegar a fita no fim da pista. Só que correr pode machucar, e sua alma frágil o fez esquecer este sonho. Logo o substituiu. Materializou-se em Vermelho, e nomeou-se Amor e partiu-se sozinho, culpando o mundo pelos seus desagrados.

Só que o vermelho virou preto e o amor, buraco-negro. Foi-se a sugar tudo o que lhe agradava aos olhos e ouvidos. Ficou cheio, de tudo-de-bonito do mundo. E o Preto virou Prata, Buraco-negro moldou-se em chave. Trancou-se com seu tudo na sua própria fechadura.

O prata misturou-se, acabou em furta-cor, a chave virou pincel. Achou um cais, por ali abandonado, pintou-o de Vermelho Amor. No começo foi até a faixa, aquela que proibia a passagem. Depois pintou a faixa e pintou tudo o que ali estava. O Vermelho Amor lhe lembrou o sangue, quando, escondido da frágil alma, tentava correr pelos obstáculos da vida, e caia.

Então o pincel virou agulha, penetrou em seus olhos, cegando-o. Agora sofreria de dentro pra fora, estava feliz assim. Mas ali naquele mesmo cais que desejou pintar e amar. Caiu. O furta-cor, nenhuma cor é, se afogou nas águas e nelas se transformou, refletiria as cores que desejou ser em seu cego furta-cor.