quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Depois

Na janela as gotas batiam forte, como se pedissem abrigo. O frio as condenavam.
O vento passava ligeiro, atrasado como sempre.
Portas batiam, janelas uivavam,
Os raios beijavam a escuridão
Enquanto os trovões desejavam boa noite
E escutavam como resposta o choro de crianças medrosas.

Tempestade.

As ruas viram rios
Os rios viram mares
As ondas arrastam os mares até os muros de pedra.
Elas brilhavam com a água.

O farol some.

O cais transborda.

Casas lotadas de pessoas de açúcar.
Esquecem do cachorro lá fora.
O capacho encharca-se.

Tempestade.

As nuvens causam tanta coisa. E ainda buscam nelas alguma forma que lhes dê sentido.
Tão ingênuos.

Elas vão embora.. cobrir o azul.

Chega ao fim a tempestade.

E lá pelas ruas molhadas
Se ouve um barulho de rodinhas velhas e gastas.
Um carrinho.
Quem o puxa vai de guarda-chuva,
Lenço azul com bolinhas tampando os bobes.
Um óculos fino e dourado pendendo na beira do nariz.
Um xale violeta. Um vestidinho já ralo rosinha.
Sapatilhas verdinhas.
Uma boa senhorinha, corajosa, seguindo os rastros da Tempestade.

"Bom dia dona Bonança!"
"Bom dia meu filho, chuvinha boa essa hein!?"

Barulhos de rodinhas velhas e gastas.
Ela já passou.



Nenhum comentário:

Postar um comentário