terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Aquela dos Bem Quereres

Eles - ela pensou - sempre eles moldaram as querenças e não querenças daquilo que poderia ser minha vida.
Queres culpá-los? Tola! Toda esta culpa não são eles que sentem, ela vive naquilo que pulsa em ti. Como és tola!
Pois quem é você? De onde surge esta voz?
Ó minha alma ingênua! Surge de ti, não vês teus lábios a revelarem estas sábias palavras que antes se recusava a expor?
Pois bem, sou culpada?
Sim! A culpa de uma vida que não queres é apenas tua!
Mas o que fiz? O que não fiz? Quando quis não ter a vida que desejava?
Você apenas quis não querer, sentou onde está e viu tudo passar, só que...
Não diga mais nada! Não diga mais nada! Assumo minha culpa, eu apenas assisti tudo, como num cinema, onde a tela te engole, você fica com os olhos paralisados diante de tanta cor, tanta magnitude! Pois aqui estou eu, parada, mas meu filme está preto e branco, sem nenhuma elegância, a tela molhou-se com a abundância de minhas lágrimas. Eu vi minha vida e não me movi. Eu não fiz nada! Eu deixei que me levassem daqui, o que restou não sou eu, é o resultado da minha própria fuga, fujo da vontade de querer ser.
Não és tão tola quanto pensei. Este é um bom começo...
Começo?
E tudo ficou negro, seus olhos se abriram, ela finalmente acordou e só queria não esquecer este sonho.

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