quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ROSA,Guimarães

"Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo..."

Quando te disseste que o deixarias
Não conseguir dizer-te que já não mais o amavas
frágil, imprecisa, tenebrosa e sem chão.
Me senti deixando nossa segura caverna
me expondo ao mundo sem teus olhos a me acalmarem,
Executei o futuro que havia para nós.
Mal vi teu olhar em mim, meus olhos,
como afluentes de minh'alma,
preencheram-se de lágrimas
estas me impediram de ver-te por uma última vez.
Tive pena de mim, tive pena de ti, tive pena de todos!
Ouvi teu riso, e o senti como pranto.
Tínhamos um presente cruzado,
mas estes Deuses, que tanto fala,
já não nos queriam juntos neste futuro que traz o mundo...

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